Cuidar, lutar e amar: a realidade dos pais atípicos 

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Ser pai ou mãe é, por si só, um grande mergulho repleto de desafios em um universo cheio de descobertas e aprendizagem. Para os pais atípicos, pais de crianças com deficiência ou necessidades especiais, essa jornada ganha barreiras únicas.

A fim de conhecer mais da realidade dos pais atípicos, entrevistamos Claudiane de Fátima Ribeiro de Oliveira, mãe de Willian e Wilson Matheus que luta a favor dos direitos das pessoas com deficiência. 

Na entrevista, Claudiane, aponta os desafios enfrentados, assim como a adaptação na sua vida com a chegada de seu filho Wilson Matheus que tem distrofia muscular. Confira a entrevista completa!

Pais atípicos: quem são?

Quando falamos em pais atípicos, nos referimos àqueles que têm filhos com deficiência, transtornos do desenvolvimento ou condições que demandam cuidados e olhares específicos.  

Quando perguntamos a Claudiane como ela definiria ser mãe atípica, ela aponta: “Ser mãe atípica é ser além de mãe, ser cuidadora em tempo integral, sem direito a férias e benefícios“. 

Esses pais vivenciam uma jornada marcada por desafios extras: desde o processo de diagnóstico, passando pelas adaptações necessárias no dia a dia, até a luta constante por inclusão e acessibilidade.

Somos confundidas com super-heroínas, mas na verdade somos só mães que precisam ser cuidadas também.Claudiane

Uma dura realidade enfrentada por inúmeros pais atípicos é a imersão 100 por cento na rotina intensa de cuidados dos filhos, acabando deixando as suas necessidades em segundo plano. Claudiane reconhece a necessidade de todos terem ajuda com a saúde mental e física, mas admite que é uma tarefa difícil tirar um tempo para si mesma. 

Fornecer apoio a esses pais é de extrema importância para evitar a sobrecarga e desgaste emocional, além disso, a construção de uma rede de apoio que ofereça suporte é fundamental. 

Existem inúmeras associações dedicadas para proporcionar apoio para famílias atípicas espalhadas pelo Brasil, Claudiane nos conta que recebe ajuda da Aliança Distrofia Paraná e Aliança Raras Paraná, que são famílias que se ajudam, tornando assim a sua rede de apoio. 

Processo de descoberta

O processo de descoberta do diagnóstico costuma ser um dos momentos mais delicados na vida de pais atípicos. Muitas vezes, ele começa com pequenas percepções: um atraso no desenvolvimento, uma diferença no comportamento, uma dificuldade inesperada. Vem, então, uma maratona de consultas, exames, avaliações — junto com uma avalanche de sentimentos. 

É um período em que o chão parece sair dos pés, e ao mesmo tempo, nasce uma força desconhecida. Aceitar e compreender o diagnóstico leva tempo, e cada família vive essa fase de maneira única. 

Claudiane nos conta que o filho recebeu o diagnóstico com 4 anos de idade, por meio da pediatra que indicou a ida a um ortopedista e futuramente um geneticista. Após alguns exames observando o DNA de Wilson Matheus, a mãe descobre que o filho tem distrofia muscular, doença irreversível que causa fraqueza e atrofia muscular.

Ela relata que enfrentou dificuldades e situações constrangedoras após a descoberta. Os familiares se afastaram, tratando seu filho com indiferença e evitando sua presença em festas e reuniões. 

Além disso, em ambientes públicos situações desagradáveis também os acompanhava, sendo um incentivo para ela assumir uma nova postura e começar a estudar sobre os direitos que o filho possuía, assim acendendo uma chama para a luta das PcDs.

Atualmente, Claudiane continua firme na busca de melhorias e por isso ela é militante sobre Doenças raras e Distrofia Muscular de Duchenne, assim como cursa Gestão Pública e prossegue estudando sobre as pautas e direitos da comunidade PcD. 

Adaptação 

A adaptação da rotina é um dos primeiros grandes desafios enfrentados por pais atípicos. Cada detalhe do cotidiano passa a girar em torno das necessidades específicas da criança: desde organizar horários para consultas, terapias e atividades, até ajustar a casa e os ambientes para garantir conforto e acessibilidade. 

Para a família da entrevistada não foi diferente. Wilton Matheus aos 9 anos de idade passou a se locomover por meio de uma cadeira de rodas Freedom, devido sua grande dificuldade para caminhar e a indicação de sua médica. A mãe conta que foi notável a diferença no dia a dia na rotina da família. 

Além disso, a socialização e autonomia melhoram permitindo o desenvolvimento do filho em casa e em ambientes escolares, onde foi possível a sua contar com participação ativamente do filho em brincadeiras, festas e atividades. 

Foi a liberdade dele, […] a cadeira deu novamente a oportunidade de ser criançaClaudiane

Obstáculo e superação

Entretanto, mesmo com os avanços, o rapaz em sua adolescência enfrentou problemas de autoestima, um obstáculo recorrente para pessoas com deficiência. Lidar com olhares julgadores, barreiras físicas e sociais, e a sensação de ser diferente pode impactar profundamente a forma como a pessoa se enxerga.

Então, a notícia da iniciativa da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) em trazer a prática do esporte Power Soccer, Wilson Matheus encontrou uma oportunidade de praticar o futebol, um esporte que sempre amou, iniciando assim sua jornada no esporte.

Power Soccer é um paradesporto jogado em cadeiras de rodas motorizadas por pessoas  com deficiências severas, sendo o primeiro esporte e equipe pensado para esse público.

Claudiane nos relata orgulhosa que o filho recebeu reconhecimento sendo convocado para a primeira seleção brasileira. Na época, eles adaptaram a cadeira de rodas Freedom que o jovem usava no dia a dia para poder praticar o esporte, essa barreira não foi suficiente para impedir o seu excelente rendimento.

É uma realidade recorrente dos atletas terem que fazer essas adaptações para a prática do esporte, entretanto não é o ideal, pois pode gerar inúmeras falhas e danos à cadeira de rodas utilizada no cotidiano, deixando o usuário sem equipamento.

Pensando nessas dificuldades e segurança dos atletas, a Freedom desenvolveu uma cadeira de rodas motorizada exclusiva para a prática do Power Soccer, projetada com todas as proteções necessárias e com ótimo rendimento para as manobras durante o jogo. Leia nossa postagem contando tudo sobre o paradesporto! 

Wilson Matheus praticou o esporte por 10 anos, competindo em um mundial e diversos campeonatos, sendo um marco de transformação em sua vida, assim como um momento muito emocionante e gratificante para a mãe assistir. 

Motivações e aprendizagens

Claudiane conta que em sua jornada de mãe atípica passou por diversos altos e baixos precisando se ajustar e se manter forte. Em momentos que seu filho perdia as forças, que a sua doença afeta seus órgãos e que não teria cura, ela lembrava: “a vida é preciosa e devemos dar muito valor, e ter empatia com as pessoas”.

Além disso, ela leva como motivação a luta pelos direitos das pessoas com deficiência/doenças raras e que o mais importante na vida é a nossa saúde. 

Assim como, ela comenta que é necessário melhor a acessibilidade, políticas públicas voltadas para saúde, esporte e educação, além das pessoas serem mais empáticas e respeitosas

No final da entrevista, Claudiane deixa um recado para outros pais atípicos“Quando recebemos um diagnóstico seja ele qual for, passamos pelo momento de dor, até mesmo um luto de filho vivo, passando este momento devemos unir forças e nunca desistir”. Ela ainda ressalta a necessidade do autocuidado e a divisão das tarefas com a família ou rede de apoio. 

Acho que não iria ser quem sou se não tivesse nascido o Wilson Matheus com Distrofia, sou uma pessoa melhor.Claudiane

A história de Claudiane e Wilson Matheus é um reflexo da realidade de milhares de famílias atípicas espalhadas pelo país. Mostra que, apesar das dores e dos obstáculos, é possível encontrar força, propósito e amor no caminho. 

A Freedom fica extremamente grata por fazer parte da vida dessa família. Nos acompanhe para conhecer outras histórias dos nossos clientes. 

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