15.jun.2025
O 12 de junho, Dia dos Namorados no Brasil, é também Dia Mundial de Erradicação do Trabalho Infantil. Segundo a Organização Internacional do Trabalho e a Unicef, 138 milhões de crianças trabalharam em 2024.

O ouro, a prata e a pedra da joia presenteada podem ser frutos de mineração ilegal, que degrada territórios e explora crianças na África. A roupa, a pelúcia, o enfeite podem ter sido fabricados por mãos infantis na Ásia.
Mesmo que a responsabilidade pela erradicação do trabalho infantil seja dos Estados, não podemos seguir fingindo que as escolhas individuais não têm conexão com o todo.
Recentemente, participei de um “Sempre um Papo” no Sesc Pinheiros, em São Paulo, com Ricardo Abramovay e Semayat Oliveira, sobre consumo consciente e o futuro das cidades. Ali, ficou evidente a necessidade de políticas públicas de estruturação de um sistema econômico mais ético. A conversa está disponível online para quem se interessar por ela.
Responsabilizar indivíduos não é a resposta para o tamanho do desafio de colocar pessoas e a natureza no centro das escolhas políticas. E, mesmo que pareça, não há contradição com a perspectiva feminista de que no nosso cotidiano é preciso considerar as condições de produção daquilo que usamos, vestimos e comemos.
Cito Silvia Federici na publicação da SOF (Sempreviva Organização Feminista) “Feminismo, economia e política: debates para a construção da igualdade e autonomia das Mulheres”, organizado por Renata Moreno: “(…) precisamos superar o estado de negação constante e de irresponsabilidade em relação às consequências de nossas ações, resultado das estruturas destrutivas sobre as quais se organiza a divisão social do trabalho dentro do capitalismo. Sem isto, a produção da nossa vida se transforma, inevitavelmente, na produção da morte para outros.”
Trabalho infantil

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O relatório “Trabalho Infantil: Estimativas Globais 2024, tendências e o caminho a seguir”, lançado no último 11 de junho pela OIT e a Unicef, traz recomendações para os Estados erradicarem o trabalho infantil: investimento em proteção social para famílias vulneráveis, fortalecimento dos sistemas de proteção infantil para identificar, prevenir e responder às crianças em risco, acesso universal à educação de qualidade, garantia de trabalho decente para adultos e jovens, leis e responsabilidade empresarial para acabar com a exploração e proteger as crianças em todas as cadeias de suprimentos.
É preciso denunciar, cobrar, votar pela erradicação do trabalho infantil. Mas não faz mal considerar, individualmente, a cadeia produtiva do que consumimos. Para que o presente a quem amamos esteja carregado de vida, não de violência e morte.
