Estudante da USP conquista terceiro lugar em Concurso de Moda Inclusiva

Vencedores foram anunciados durante evento realizado na Pinacoteca de São Paulo, após desfile que apresentou as criações dos finalistas

  Publicado: 20/08/2025 às 10:49

Modelo masculino com prótese da perna direita e muleta sob o braço esquerdo desfila em pátio rodeado por paredes de tijolos expostos. Ele veste conjunto de blazer, camisa, saia e bermuda social em tecido azul, com padronagem risca de giz.
Gustavo apresentou peças de alfaiataria adaptada com ajustes para diferentes necessidades, incluindo aquelas de pessoas com membros amputados ou usuárias de próteses – Foto: SEDPcD

Estudante do curso de Têxtil e Moda da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP, Gustavo Marques Gonçalves foi um dos três criadores premiados no Concurso de Moda Inclusiva 2024/2025. Promovida pela Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SEDPcD), esta edição do Concurso de Moda Inclusiva contou com o apoio da USP e de outras instituições. Os vencedores do concurso foram anunciados no dia 11 de agosto, em evento realizado na Pinacoteca de São Paulo, após o desfile dos finalistas.

No desfile, Gustavo, que é de Osasco (SP), apresentou um conjunto de alfaiataria adaptada composto por camisa, calça, blazer e saia. As peças possuem botões magnéticos, zíperes e partes removíveis, possibilitando ajustes para diferentes necessidades, incluindo pessoas com membros amputados ou usuárias de próteses.

“Eu tive como ponto de partida a alfaiataria masculina, que é uma das áreas da costura que eu mais gosto. Pensei a princípio num terno, e conforme fui desenvolvendo a ideia e o conceito, também pude ir estilizando a peça, como na gola que não é tradicional, um blazer com corte diferente, mas no final de toda a criação eu decidi optar por tecidos que são mais utilizados na alfaiataria”, explicou o estudante.

Ele também destacou o papel do concurso na promoção dos direitos das pessoas com deficiência. “Para mim, é uma gratificação muito grande poder participar desse meio, podendo divulgar nossa visão como artistas. Mas para a sociedade é algo muito maior, pois todos vão ver que a pessoa com deficiência também tem o direito de estar nos espaços e de se vestir de acordo com seus gostos”, disse Gustavo.

Segundo a SEDPcD, a edição deste ano do Concurso de Moda Inclusiva foi marcada por uma grande adesão de estudantes, estilistas e profissionais da moda de diversas regiões do país. Os critérios de seleção incluíram inovação, criatividade, adequação ao tipo de deficiência e selecionada, capacidade de produção em larga escala, entre outros requisitos. Após um rigoroso processo de seleção de projetos, 20 finalistas foram escolhidos para apresentar suas criações no desfile. Além de Gustavo, as alunas Alana Tavares Gomes e Bianca Vieira da Silva, também da EACH, estiveram entre os finalistas.

Homem cadeirante desfila em passarela de evento de moda
Conjunto “Movimento Livre” conquistou o primeiro lugar do concurso – Foto: SEDPcD
Mulher cadeirante desfila em passarela de evento de moda
Look inspirado na poesia de Manoel de Barros ficou em segundo lugar – Foto: SEDPcD

Quem levou o primeiro lugar foi Guilherme Rodrigues Pereira, conhecido como Will o Criativo, de São Paulo. Ele apresentou o conjunto “Movimento Livre”, moletom com modelagem adaptada para cadeirantes, confeccionado com tecidos reaproveitados. A peça inclui ajustes ergonômicos, zíperes largos, bolsos de fácil acesso e ventilação estratégica, unindo conforto, autonomia e sustentabilidade.

O segundo lugar foi para Luane Sales de Oliveira Alves, de Campo Grande (MS), autora do look “Cotidiano – O Silêncio das Coisas Anônimas”, inspirado na poesia de Manoel de Barros. O conjunto feminino traz bordados artesanais, elementos em braile, botões imantados, zíper com argola e ajustes que facilitam o vestir, além de permitir diferentes formas de uso.

Os três primeiros colocados no Concurso Moda Inclusiva receberam prêmios em dinheiro, equipamentos de costura e capacitação, além da oportunidade de participar do Brasil Eco Fashion Week, um dos principais eventos do setor no País.

Um homem e uma mulher posam para foto em frente ao cartaz do Concurso Moda Inclusiva
O secretário estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Marcos da Costa, com a professora Isabel Italiano – Foto: EACH/USP

“O concurso mostra o quanto a moda pode ser uma ferramenta poderosa de inclusão e autonomia. É uma forma de estimular talentos e, ao mesmo tempo, chamar atenção da indústria e da sociedade para as necessidades das pessoas com deficiência”, afirma Marcos da Costa, titular da SEDPcD. Ele participou do desfile dos finalistas ao lado do professor Ricardo Ricci Uvinha, diretor da EACH, de especialistas em moda, representantes de instituições parceiras e outros convidados. Na abertura do evento, Uvinha reforçou o compromisso da USP com ações que unem criatividade, inovação e impacto social.

O evento contou ainda com a participação especial das professoras Isabel Italiano e Silvia Held, do curso de Têxtil e Moda da EACH, que integraram o júri responsável pela avaliação dos projetos. Isabel Italiano também coordenou as atividades que envolveram a participação da unidade no concurso.

Em entrevista ao Jornal da USP na época do lançamento desta edição do concurso, Isabel Italiano explicou que o conceito de moda inclusiva, de modo mais amplo, abrange o desenvolvimento de vestuário para todos os tipos de corpos, sejam altos, baixos, gordos, magros, entre outros.

“No concurso, porém, nosso foco são as pessoas com deficiência. É importante lembrar que não significa apenas adaptar peças para estas pessoas, mas pensar, criar e desenvolver vestuário a partir de suas necessidades. É isso que nosso concurso quer, a criação e o desenvolvimento de vestuário especialmente desenvolvido para as pessoas com deficiência, que proporcionem conforto e aumentem sua autoestima, já que deve levar em conta as necessidades físicas e psicológicas do usuário, indo além do simples funcionalismo, mas considerando fatores como design, estilo e tendências do mercado de moda”, disse a professora, na ocasião.

*Com informações da assessoria de comunicação da EACH e da SEDPcD.

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